"Taoísta na cabeça do tigre"
"Porque está esta barca amarrada ao velho cais?
para onde partiu então o homem nas montanhas azuis?
enquanto esperamos por ele façamos do poema uma pintura que possamos contemplar
gritos de gansos selvagens, folhas de canas secas
sombra duma pluma branca, flor fria duma campainha de água
o grou no ninho, no alto do pinheiro, a tarde"
"Pensamento primaveril"
"O medo mistura-se ao prazer
enquanto ela sorri ao pensar que vai ao seu encontro
A caminho do lago o orvalho da montanha refresca-lhe as mangas de seda
Quem se habituaria a estas coisas ilícitas?
Somente o receio de faltar ao juramento secreto
leva com passos cautelosos ao quiosque de perfumes de brocado
Espreita, procura nos ruídos do vento
esconde-te à espera do amor perfumado
Ao pé do muro branco uma flor brinca com a sua sombra
Sob as persianas vermelhas o brilho disfarçado da lua
Docemente
com um sopro, a lâmpada apaga-se"
"Alegre despreocupação"
"Os séculos rolam na embriaguez
em mim tudo é primavera
deitada no alto da montanha do oeste uma nuvem
indignar-me?
do verdadeiro, do falso, do bem, do mal? Limpar a poeira do rosto
poli-lo até desaparecer
hoje como ontem, sem fim, os homens"
Três poemas da autoria de Zhang Kejiu
Façamos do poema uma pintura que possamos contemplar. A definição de poema fugindo das palavras, abrigando-se nos olhos que as encontram ou que encontram. Mas, ainda que possa ser assim, quero crer que há palavras que inelutavelmente revolvem a poeira do rosto.