conscientemente quebrei-a. incomodava-me aquele tom desajustado mas sempre dentro dos limites. um amante dos paradoxos tem um direito especial a exercê-los. a hipocrisia não é incomodativa. não o é porque nada incomoda os preguiçosos. nada me incomoda e todavia cresce e grita uma revolta íntima, intimamente dispersa sobre todos os meus espaços, disse. daí que o amante dos paradoxos dificilmente se encontre a si em si mesmo. e está lá. estou certo que lá está.
abriu a porta e olhou um imenso fogo de artifício que planava num silêncio pleno e incompreensível. disformes os desenhos que formava. uma luz monótona era uma espécie de ditado antigo indolor mas não incolor. porventura desnecessário. terminou. o silêncio desenhava os últimos traços. no lago um reflexo contraditório. com o olhar firme o amante de paradoxos constatatou nas lunares águas dos últimos resquícios: lá estou. estou certo que ali estou.
terça-feira, 5 de maio de 2009
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