terça-feira, 5 de maio de 2009

a virtude quebrou a lâmina

conscientemente quebrei-a. incomodava-me aquele tom desajustado mas sempre dentro dos limites. um amante dos paradoxos tem um direito especial a exercê-los. a hipocrisia não é incomodativa. não o é porque nada incomoda os preguiçosos. nada me incomoda e todavia cresce e grita uma revolta íntima, intimamente dispersa sobre todos os meus espaços, disse. daí que o amante dos paradoxos dificilmente se encontre a si em si mesmo. e está lá. estou certo que lá está.

abriu a porta e olhou um imenso fogo de artifício que planava num silêncio pleno e incompreensível. disformes os desenhos que formava. uma luz monótona era uma espécie de ditado antigo indolor mas não incolor. porventura desnecessário. terminou. o silêncio desenhava os últimos traços. no lago um reflexo contraditório. com o olhar firme o amante de paradoxos constatatou nas lunares águas dos últimos resquícios: lá estou. estou certo que ali estou.

3 comentários:

intuitos disse...

negarmos os limites é em si mesmo um limite, embora mais confortável porque paradoxal. como terá sido a visão de si mesmo, de um amante dos paradoxos? Será uma imagem turva e desfocada mas que revela uma vontade guerreira de se encontrar?

ilusorius disse...

Não revelará antes uma vontade guerreira de se desencontrar ou, talvez melhor expressando, de não se achar?

soy yo disse...

há smp um ponto ténue onde os paradoxos se cruzam e aí está a enteléquia.