Antes de tornar a ler um poema
perguntar-me-ei quem sou.
Quem sou antes do retorno ao poema?
Antes do infinito serem poucas palavras
No dia calmo em que a tempestade
Aguarda que o barco se desenlace das amarras,
Onde olho o porto ainda com idade
Nessa saudade onde ainda não me esperas,
Hoje , dia em que nada me invade
A nada mais do que apontamentos nas margens,
Margens desse rio que ainda não desaguou
No mar de onde o barco ainda não desatracou,
Eu pergunto-me
quem sou.
Talvez desistir das homenagens
E das reuniões das páginas rasgadas,
Não procurar no vento o sopro indelicado
Da minha passagem. Lembrar
Apenas o que ainda não li
E abro. Abro novos livros,
O seu conforto descompassado,
Flores de vidro e de luz e um uivo
irado.
Um coro em silêncio:
Quem sou antes do retorno ao poema?
quinta-feira, 16 de julho de 2009
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2 comentários:
Será a poesia a anestesia da realidade e o ópio da irrealidade!?
Será a poesia o saber-se ou, pelo menos, o acreditar-se que não existe separação entre o real e o irreal? Ou que então não nos é possível viver em ambos, sendo portanto a, digamos, existência do outro imperceptível? A poesia é o opiáceo anestesiador que nos convoca para o imperceptível. O despertar com que pouso a ideia sobre a almofada.
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