quinta-feira, 16 de julho de 2009

Antes de tornar a ler um poema
perguntar-me-ei quem sou.
Quem sou antes do retorno ao poema?
Antes do infinito serem poucas palavras
No dia calmo em que a tempestade
Aguarda que o barco se desenlace das amarras,
Onde olho o porto ainda com idade
Nessa saudade onde ainda não me esperas,
Hoje , dia em que nada me invade
A nada mais do que apontamentos nas margens,
Margens desse rio que ainda não desaguou
No mar de onde o barco ainda não desatracou,
Eu pergunto-me
quem sou.
Talvez desistir das homenagens
E das reuniões das páginas rasgadas,
Não procurar no vento o sopro indelicado
Da minha passagem. Lembrar
Apenas o que ainda não li
E abro. Abro novos livros,
O seu conforto descompassado,
Flores de vidro e de luz e um uivo
irado.
Um coro em silêncio:
Quem sou antes do retorno ao poema?