sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um olhar sobre o passado a relembrar o futuro. Consciente do facto de isto ser daqueles algos que tantos já disseram que não se saberá já quem primeiramente o disse, digo-o ainda. Digo-o desde logo porque muitas vezes não dizemos certas coisas por muitos as terem dito já. E o oposto será também verificável. E relembramos o futuro que visualizámos no passado pensando nas palavras que ainda ninguém escutara. Sons na pedra que ainda ninguém lera. Tudo é irrepetível apenas uma vez. Ninguém mais atinge o cume pela primeira vez vez nenhuma. Vez vez nenhuma. Tudo é irrepetível apenas uma vez, dizia. Claro que apenas o conhecido é repetível. E será preciso saber tudo para se saber ser irrepetível. Mas talvez eu perceba melhor hoje um certo fascínio pela ignorância. À ignorância estão reservadas muitas mais primeiras vezes. O conhecimento assalta-nos a originalidade, faz-nos saber o quão especiais não somos, o quão únicos já tantos foram como nós. Talvez tudo isto seja também um elogio do amor. Amamos alguém que nunca se repete ainda que façamos muitas vezes a mesma coisa, ainda que queiramos que um monstro imutável nos assalte e se repita ad aeternum. Dizermos: és irrepetível. Não mudes nunca. Devo estar a repetir o Miguel Esteves Cardoso, é bem provável. Não o leio mais. Não quero repetir ninguém...

3 comentários:

soy yo disse...

queremos repetir momentos felizes e queremos nessa repetição ser únicos e especiais, logo o ser único e especial é um momento feliz. coisa mais rudimentar o humano.

nio disse...

O Respirar passivo do som de qualquer palavra num movimento paralelo ao raiar da luz, será por si só uma repetição de um algum ja concretizado e existido!Poderemos afirmar que a vida nao passa de uma repetição, ou de um reflexo num vidro baço!!? a passividade com que decores as palavras,agra-me de tal forma, que consigo escutar o seu choro/sorriso.
o sonoro demente,humus

intuitos disse...

"Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. O que acontece por necessiadade, o que já era esperado e se repete todos os dias é perfeitamente mudo. Só o acaso fala."