Aprecie-se a insensatez própria das palavras. A sua relação pouco determinada com o tempo.
O ser-se insensato porque se é único. Sobrevivem ao jugo demasiado perceptível do tempo,escapam-se-lhe como ondas impróprias entre as nuvens e, no entanto, conseguem estabelecer em si prefácios e posfácios, observações em contexto, perspectivas abrigadas nos ponteiros. E há um tempo certo para te o dizer.
Um tempo certo para te o escrever. Tempos diferentes. Definem, redefinem, obrigam, cobram, direccionam, substanciam até. No profundo serão lume brando brincando com o vento. A interacção tem o toque modificador, alterna e altera, mas há palavras que reestruturam a própria interacção, como se aos beijos de lábios pressionados se juntassem beijos sem lábios que alteram a própria pressão dos lábios entrelaçados nos beijos.
No serão profundo, brando, o lume, brinca com o vento. Gestos dóceis e animados na folha inanimada que esvoaça agora. Arde quente e precisa. Inexacta mas necessária. Jamais completa. Inevitavelmente repleta. Insensatez plena de sentido sem sentido nenhum.
Tudo isto é desinteressante, mas. Mas, dizia eu, o poema prossegue o espaço vazio, faz-nos notar a página em branco como o tempo necessário para dizer a palavra da página seguinte. E isto é interessante. Um tempo certo para te o dizer. Um tempo certo para te o escrever. Em branco. Em branco aguardo.
Fechou a porta. Trémulo, o candeeiro é um estranho na escuridão. Ele senta-se.
O ser-se insensato porque se é único. Sobrevivem ao jugo demasiado perceptível do tempo,escapam-se-lhe como ondas impróprias entre as nuvens e, no entanto, conseguem estabelecer em si prefácios e posfácios, observações em contexto, perspectivas abrigadas nos ponteiros. E há um tempo certo para te o dizer.
Um tempo certo para te o escrever. Tempos diferentes. Definem, redefinem, obrigam, cobram, direccionam, substanciam até. No profundo serão lume brando brincando com o vento. A interacção tem o toque modificador, alterna e altera, mas há palavras que reestruturam a própria interacção, como se aos beijos de lábios pressionados se juntassem beijos sem lábios que alteram a própria pressão dos lábios entrelaçados nos beijos.
No serão profundo, brando, o lume, brinca com o vento. Gestos dóceis e animados na folha inanimada que esvoaça agora. Arde quente e precisa. Inexacta mas necessária. Jamais completa. Inevitavelmente repleta. Insensatez plena de sentido sem sentido nenhum.
Tudo isto é desinteressante, mas. Mas, dizia eu, o poema prossegue o espaço vazio, faz-nos notar a página em branco como o tempo necessário para dizer a palavra da página seguinte. E isto é interessante. Um tempo certo para te o dizer. Um tempo certo para te o escrever. Em branco. Em branco aguardo.
Fechou a porta. Trémulo, o candeeiro é um estranho na escuridão. Ele senta-se.
2 comentários:
Em branco se aguarda. Em negro se expõe. As palavras são malditas porque são donas e senhoras do ser. Elas perduram. Nós somos pó.
A escuridão é um instante passageiro em que nos apossamos das palavras.
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