terça-feira, 16 de março de 2010

Mantém-se desnecessariamente luminoso o elogio da técnica. Ele traduz-se. Refém do ódio ao hábito não se levanta.



Patenteio as miraculosas mãos. Dito um religioso suspiro, um ruído esquecido num plano divino, uma orquestração retida, sustida, amansada. O bater de asas já ditou o futuro e talvez por inépcia vingativa e precipitada hoje o futuro anuncie e defina o bater das asas. Fecha o livro. A palavra não está escrita.

A filha dá-lhe a mão: Pai, não me disseste tu que toda a palavra que se anuncia é maldita?

4 comentários:

intuitos disse...

Toda a palavra que se anuncia é maldita?

ilusorius disse...

Ainda não sei o que o pai lhe respondeu. Claro que as palavras com intenções próprias contêm quase obrigatoriamente alguma perversão. E a palavra que se anuncia tem sempre intenções. Sempre. A palavra que se anuncia sabe que irá revolver, é sempre um sopro num corpo disperso. Portanto será sempre maldita para o estado de permanência em que eclode.

nio disse...

" não basta saber,
è preciso também aplicar
Não basta quere
È preciso também fazer."
Wolfgang von Goethe

nio disse...

Quem a partir de então, irá crescer de uma forma manifesta, se não a maldita palavra??pequena urbe que se levanta prodigiosamente nas mãos do seu orador.

O inapropriado Humus, o demente